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ELOÁ

Lidando com a traição amorosa

Meu nome é Eloá, tenho 29 anos, sou assistente administrativa e sempre fui muito dedicada à minha vida afetiva. Por muitos anos, acreditei que meu relacionamento estava construído sobre uma base sólida de confiança e parceria. Eu apostei emocionalmente no meu companheiro, investi tempo, expectativas e uma parte enorme de mim na relação. Mas, recentemente, vivi uma das experiências mais dolorosas que alguém pode enfrentar dentro de um relacionamento: a descoberta da traição. Desde então, minha vida emocional tem sido marcada por uma mistura constante de choque, confusão e uma tristeza que parece não encontrar lugar para se acomodar.

A traição não chegou como uma tempestade repentina. Ela se revelou aos poucos, em pequenas incoerências, respostas estranhas, mudanças sutis de comportamento. Primeiro, o afastamento. Depois, a frieza. Em seguida, as justificativas frágeis que eu tentava ignorar para preservar uma sensação mínima de paz. Mas a verdade veio à tona — e quando veio, veio inteira. Ouvir com clareza que a pessoa com quem eu compartilhava minha vida escolheu me trair foi um golpe que eu ainda não sei descrever completamente. Não foi só uma quebra de confiança. Foi como se alguém tivesse arrancado minhas bases emocionais sem aviso prévio.

Depois disso, tudo mudou dentro de mim. Passei dias tentando entender o que tinha acontecido, tentando encontrar explicações que fizessem sentido. Mas nada fazia. Uma parte de mim repetia que talvez eu não tivesse sido suficiente. Outra parte perguntava por que alguém que dizia me amar poderia fazer algo assim. E, enquanto essas perguntas se revezavam na minha mente, eu sentia meu corpo reagir: cansaço constante, dificuldade de dormir, aquela sensação amarga de que algo dentro de mim tinha sido rasgado. A traição não doeu apenas como um acontecimento. Ela doeu como um processo — um processo de perceber que minhas expectativas, meus sentimentos e minha entrega tinham sido tratadas com descaso.

Alguns dias foram marcados por silêncio absoluto, como se eu estivesse tentando me esconder de mim mesma. Outros vieram carregados de raiva, não aquela que explode, mas a que consome por dentro, lentamente. E havia também momentos de profunda insegurança, nos quais eu me perguntava se algum dia voltaria a confiar em alguém, ou até mesmo em mim mesma. É impressionante como um único ato pode desequilibrar tantas áreas da vida emocional. A traição mexeu na minha autoestima, mexeu na minha forma de ver relacionamentos, mexeu até na maneira como eu enxergo o amor.

Percebi também que, depois da traição, as lembranças do relacionamento começaram a ganhar novos significados. Coisas que antes pareciam simples agora pareciam mentiras disfarçadas. Momentos que eu guardava com carinho passaram a parecer incoerentes. É como se tudo tivesse sido reinterpretado contra mim. Não sei se isso é parte do processo, mas a sensação é de que a traição se infiltrou em tudo que eu vivi até então, deixando uma marca pesada e difícil de remover.

Ainda assim, o que mais me afeta é o silêncio emocional que fica depois. O vazio entre as perguntas sem respostas. A sensação de que eu estava vivendo uma história enquanto a outra pessoa vivia outra completamente diferente. Eu não sei quando — ou se — essa dor vai diminuir. Só sei que ela existe, que é real e que tem moldado minhas últimas semanas de uma forma que eu ainda tento entender. Conviver com a traição é conviver com um tipo de dor que não se explica facilmente. Ela é profunda, silenciosa e constante.

Essa foi a experiência que a Eloá viveu ao enfrentar uma traição amorosa — algo que, infelizmente, muitas pessoas também enfrentam em seus relacionamentos, especialmente quando depositam confiança e entrega em alguém que escolhe ignorar esse valor. A dor intensa de ser traída por quem se ama deixa marcas que vão muito além da ruptura do vínculo: ela atinge a identidade, a segurança emocional e a forma como a pessoa passa a perceber o amor e a si mesma.

No próximo conteúdo, você conhecerá detalhes profundos sobre o comportamento da traição amorosa — como surge, por que acontece e os impactos emocionais que provoca — para que você compreenda com clareza esse tipo de experiência e desenvolva uma base sólida de entendimento sobre esse problema tão comum e tão devastador.

Mas antes de prosseguirmos é preciso deixar claro que este conteúdo é voltado para pessoas que foram traídas. No entanto, se você é uma pessoa que COMETEU TRAIÇÃO e busca entender questões profundas e pouco compreendidas pelos outros, até mesmo por você, leia atentamente esta reflexão abaixo para que você possa olhar um pouco para dentro de si e buscar caminhos novos.


REFLEXÃO SOBRE UMA REALIDADE BEM COMUM DO OLHAR DAS PESSOAS QUANDO O ASSUNTO É RELACIONAMENTO:

Quando você entra em um relacionamento sem saber quem é, o que quer, o que aceita ou o que recusa, você acaba transformando a relação em um tipo de apoio emocional. Não por amor, mas por dependência.
E dependência emocional sempre te coloca em risco.

Se você carrega feridas de infância — abandono, rejeição, falta de afeto ou inseguranças da infância — é comum buscar, na vida adulta, alguém que preencha essas faltas. Sem perceber, você transforma o relacionamento em uma tentativa de “cura”.

Você pensa:
“Se ele(a) me amar, vou me sentir suficiente.”
“Se der certo, eu vou ter estabilidade.”
“Se eu não perder essa pessoa, não serei descartado(a).”

Mas quando você transforma o relacionamento na sua “salvação”, perde a capacidade de construir algo real.

É nesse ponto que surgem as expectativas fantasiosas, a idealização cega e a tentativa imatura de sustentar a relação apenas com desejo e esperança. Você começa a tolerar comportamentos que ferem, a minimizar sinais claros de desinteresse e a insistir sozinho(a) em algo que não se sustenta. No fundo, você não está lutando pelo amor que poderia existir — está tentando preencher a falta que nunca encarou dentro de si.

A verdade é simples:
relacionamento nenhum resolve o que você não resolveu dentro de si.

Quando falta identidade emocional, qualquer amor vira uma fuga.
Quando falta maturidade interna, qualquer vínculo vira dependência.
E assim você aceita qualquer coisa para não perder aquilo que acha que te mantém de pé.


Quando a realidade chega:

Em algum momento, você percebe que o relacionamento não te salva.
Não preenche o vazio.
Não cura suas dores.
Não resolve suas inseguranças.

Isso dói porque você percebe que colocou no outro uma responsabilidade que era sua.
É uma decepção consigo mesmo — não só com o parceiro.


Quando a decepção vira fuga:

Quando você percebe que a relação não supriu aquilo que esperava, é comum surgir a vontade de procurar isso em outra pessoa.
Não é sempre maldade. Às vezes é desespero, carência, repetição de padrões ou apenas fuga do próprio vazio.

Você pensa:
“Talvez outra pessoa me valorize.”
“Talvez eu seja melhor com alguém novo.”
“Talvez eu só esteja com a pessoa errada.”

Mas, na maioria das vezes, isso não é amor novo —
é a mesma dor antiga tentando achar outro lugar para se esconder.

E assim o ciclo se repete:

1. Dor interna não resolvida;
2. Tentativa de cura no
relacionamento;
3. Frustração;
4. Busca por outro vínculo;
5. Repetição do ciclo;


A verdade final:

Se você busca no outro aquilo que falta dentro de você,
nenhum relacionamento será suficiente.

E quando a decepção explode, é mais fácil procurar outra pessoa do que olhar para si —
e é exatamente aí que muita gente se perde sem perceber.


Então, se você está decidido(a) a quebrar esse ciclo e construir a própria identidade, comece com um pequeno passo: desenvolvendo a Área Individual — cultivando sua mente, suas emoções e seu corpo. Depois, conheça e organize as outras áreas da sua vida para ganhar mais clareza sobre cada ponto. Acesse o conteúdo “Areas of Life” e mergulhe nessa jornada de autoconhecimento.

Agora, vamos prosseguir com o conteúdo principal:

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