LYA
Lidando com o término do relacionamento amoroso
Meu nome é Lya, tenho 32 anos, trabalho como analista de processos em uma empresa de logística e moro sozinha em um apartamento que antes dividia com meu parceiro. Sempre fui uma mulher comprometida com aquilo que construo. Valorizo estabilidade, diálogo e a ideia de crescer junto. Para mim, relacionamento é projeto, cuidado diário e escolha consciente. Acreditava que, com maturidade e esforço, era possível atravessar fases difíceis. No entanto, mesmo com esse olhar, precisei enfrentar algo que nunca imaginei viver daquela forma: o término do relacionamento.
No início, o fim não parecia definitivo. Havia conversas inacabadas, promessas de ajuste e a sensação de que ainda existia algo a ser salvo. Eu me agarrava aos bons momentos, às memórias e à ideia de que aquilo tudo não poderia acabar assim. Tentava racionalizar, encontrar explicações, acreditar que era apenas uma crise. Dentro de mim, porém, começava a surgir um desconforto silencioso — como se o chão estivesse se movendo lentamente sob meus pés.
Com o passar do tempo, a realidade foi se impondo. As conversas diminuíram, a presença se tornou ausência e a tentativa de manter contato começou a doer mais do que aliviar. O término deixou de ser uma possibilidade distante e passou a ser uma constatação diária. Ver a rotina se desfazer, os planos serem interrompidos e os espaços ficarem vazios trouxe uma dor profunda. Era como desmontar, aos poucos, uma vida que eu havia ajudado a construir com tanto cuidado.
O impacto emocional foi intenso. Vieram o vazio, a tristeza e uma enxurrada de questionamentos: “Onde eu errei?” “Será que poderia ter feito diferente?” “Por que não foi suficiente?” Havia dias em que eu me sentia forte e consciente da decisão, e outros em que a saudade e a culpa tomavam conta. Tentei seguir em frente, me ocupar, manter a rotina, mas a sensação de perda insistia em me acompanhar. Não era apenas o fim de uma relação — era o luto por um futuro que não aconteceria.
A convivência comigo mesma também mudou. A casa, antes cheia de hábitos compartilhados, passou a ecoar silêncio. Pequenas coisas — horários, músicas, lugares — se tornaram lembranças difíceis. Aprendi, na prática, como o término não afasta apenas uma pessoa, mas desmonta uma dinâmica inteira. Eu precisava reaprender a viver sozinha, a tomar decisões sem dividir e a lidar com a ausência em momentos que antes eram de parceria.
Essa experiência também afetou outras áreas da minha vida. No trabalho, minha concentração oscilava. Socialmente, me afastei um pouco, sem energia para explicar o que sentia. Havia um cansaço emocional constante, como se eu estivesse sempre carregando algo invisível. O término mexeu com minha autoestima, com minha segurança e com a forma como eu enxergava o amor e a mim mesma.
A parte mais difícil de viver um término é perceber que o amor não acaba de uma vez. Ele se desfaz aos poucos, em lembranças, expectativas e vínculos que ainda resistem. É como fechar um capítulo sabendo que ele foi importante, mas aceitando que não pode ser reescrito. O fim exige coragem para soltar, maturidade para aceitar e tempo para reconstruir o que ficou fragmentado.
Essa foi a experiência que a Lya viveu ao enfrentar o término do relacionamento amoroso — um processo doloroso, mas também transformador, que muitas pessoas atravessam sem saber como lidar com as próprias emoções. O impacto emocional é profundo e deixa marcas que, com o tempo, podem se transformar em aprendizado e fortalecimento interior.
No próximo conteúdo, você conhecerá aspectos essenciais sobre o término do relacionamento amoroso — suas fases emocionais, os impactos psicológicos mais comuns e caminhos possíveis para reconstrução e amadurecimento após o fim — para compreender melhor esse processo e atravessá-lo com mais consciência.