LEONOR
Lidando com rejeições e exclusões sociais
Meu nome é Leonor, tenho 31 anos, e nos últimos meses tenho enfrentado um desconforto que está mexendo profundamente comigo. Sempre fui muito magra — magra a ponto de as pessoas comentarem, olharem duas vezes ou fazerem piadinhas que, para elas, são inofensivas, mas para mim são profundamente dolorosas. Só que agora isso tem se intensificado. Em situações sociais, especialmente em grupos novos, percebo olhares de julgamento, risadinhas, conversas cochichadas e, principalmente, um afastamento silencioso. É como se minha aparência determinasse meu valor como pessoa. E isso tem sido sufocante.
Não sei exatamente quando começou, mas tenho sentido mais forte nos últimos tempos. Em rodas de conversa, alguns olham para mim de cima a baixo antes de responder; outros fazem comentários indiretos sobre “falta de saúde”, “fraqueza”, “aparência esquisita”. Já perdi a conta de quantas vezes ouviram meu nome e disseram: “Ah, a moça magrinha?” — como se eu fosse um rótulo ambulante. Não sou tratada com naturalidade. Sou tratada como uma “observação”. Já teve ocasião em que simplesmente ignoraram minha presença, como se eu não tivesse nada a acrescentar. É desgastante tentar se encaixar quando o julgamento vem antes do diálogo.
E tudo isso foi ganhando um peso inesperado dentro de mim. Comecei a evitar convites, a recusar encontros, a preferir ficar em casa, onde pelo menos não sinto que estou sendo examinada. A sensação é de estar sempre sendo avaliada, medida, analisada... nunca acolhida. Minha autoestima tem sido profundamente afetada, não por eu não gostar de mim, mas por perceber que muitos te tratam de acordo com padrões injustos e superficiais. E quando esses padrões se voltam contra você, mesmo sem querer, você começa a acreditar que talvez realmente não pertença a nenhum lugar.
Ainda estou tentando entender como lidar com isso. Não é uma história de superação. Não tenho respostas, não tenho soluções prontas. Só sei que esses episódios têm me machucado mais do que deveriam, e ainda estou aprendendo a digerir tudo. Talvez o mais doloroso seja perceber que o julgamento das pessoas não é sempre explícito — muitas vezes é silencioso, sutil, e justamente por isso inevitável. E eu sigo vivendo um dia após o outro, tentando manter alguma força por dentro.
Enquanto isso, percebo que esse tipo de rejeição não é algo isolado. Ela se conecta a muitos outros problemas sociais que pessoas diferentes enfrentam. A exclusão, o preconceito e o julgamento vão aparecendo de formas diversas, em diferentes relações. E isso acaba se tornando um terreno fértil para muito mais reflexões.
No fundo, cada experiência como essa abre caminho para analisarmos de perto outras dinâmicas sociais igualmente difíceis, que muitas vezes passam despercebidas. E é justamente sobre isso que quero entender melhor a seguir.
Essa foi a experiência que Leonor viveu ao lidar com rejeições e exclusões — e, como ela, muitas pessoas também enfrentam situações em que a falta de valores alheios ameaça o equilíbrio emocional, a confiança e até o próprio senso de justiça.
No próximo conteúdo, você conhecerá os aspectos mais profundos sobre rejeições e afastamentos entre as pessoas — suas motivações, os danos que causam e a forma como impactam as relações — para compreender claramente esse tipo de postura e desenvolver uma base sólida de entendimento sobre como lidar com ela de maneira madura e consciente.