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RAUL

Lidando com imposição física no ambiente educacional

Tenho 16 anos e sou estudante do segundo ano do ensino médio em uma escola pública da minha cidade. Sempre fui tranquilo, mais reservado e focado em concluir meus estudos com responsabilidade. Acredito que o ambiente escolar deveria ser um espaço de aprendizado, convivência respeitosa e crescimento pessoal. No entanto, nos últimos meses, venho enfrentando situações de imposição física e agressões dentro da escola, o que começou a afetar diretamente minha sensação de segurança e meu equilíbrio emocional.

Na escola havia um grupo de meninos — e poucas meninas que andavam com eles — que eram temidos por praticamente todos. Eles não respeitavam limites, intimidavam colegas e faziam questão de impor presença por meio de força e provocações. Eram da sala ao lado da minha, e a simples proximidade já gerava tensão. Muitos evitavam confronto, preferiam o silêncio, e eu fazia o mesmo.

Eu raramente usava o banheiro da escola por medo de encontrá-los. Sempre esperava chegar em casa. Mas houve um dia em que eu não estava me sentindo bem e precisei ir com urgência. Decidi entrar rapidamente, usar o banheiro e sair o mais rápido possível para evitar qualquer problema. Enquanto eu terminava e me dirigia à porta, o grupo começou a entrar. Eles me viram.

Começaram com comentários ofensivos e brincadeiras humilhantes. Senti meu corpo travar. Meu instinto foi sair dali rápido e fugir, mas um deles bloqueou minha passagem. Apavorado, eu acabei empurrando um dos meninos para tentar me proteger e abrir espaço e ele acabou perdendo o equilíbrio e bateu as costas na quina da pia. A partir disso o clima mudou imediatamente.

Eles fecharam a porta. O que aconteceu em seguida foi eu não gosto muito de comentar, mas foi rápido e intenso. Fui agredido fisicamente, recebendo golpes que causaram dor e deixaram marcas em partes do corpo que o uniforme conseguia cobrir. Antes de saírem, o menino que havia se machucado me ameaçou: disse que, se eu contasse que tinha apanhado dele, da próxima vez seria pior.

Depois desse dia, a escola deixou de ser apenas um ambiente desconfortável e passou a ser um lugar que me gerava medo real. Passei a andar constantemente em alerta, evitando corredores, intervalos e qualquer situação que pudesse me expor novamente. Minha concentração caiu, minha confiança diminuiu e a sensação de vulnerabilidade se tornou constante.

O impacto emocional se intensificou quando percebi que aquilo estava afetando minha rotina escolar. Comecei a sentir ansiedade antes das aulas, dificuldade de concentração e preocupação constante em antecipar possíveis situações de agressão. Minha confiança diminuiu, e a escola, que deveria ser um ambiente de desenvolvimento, passou a ser um espaço onde eu precisava me proteger fisicamente e emocionalmente o tempo todo.

Com o tempo, percebi que as agressões físicas estavam influenciando minha forma de me posicionar e de me relacionar com os outros. Tornei-me mais retraído, mais cauteloso e menos participativo. A sensação de vulnerabilidade passou a fazer parte do meu cotidiano escolar. Conviver com imposições físicas constantes transformou minha rotina em um exercício contínuo de autopreservação, deixando-me emocionalmente desgastado e mais fechado dentro do ambiente educacional.

Essa foi a experiência que Raul viveu ao enfrentar a imposição física e agressões no ambiente educacional — um problema grave, muitas vezes tratado como algo “normal entre jovens”, mas que pode causar impactos emocionais e psicológicos profundos. Reconhecer esse tipo de situação é fundamental para interromper o ciclo de intimidação, medo e sofrimento silencioso que costuma envolver esse comportamento.

No próximo conteúdo, você conhecerá aspectos essenciais sobre a imposição física no ambiente educacional — como ela se manifesta, por que jamais deve ser normalizada e quais impactos emocionais provoca — para compreender profundamente esse problema e reforçar a importância do respeito, da segurança e da integridade física nas relações dentro do espaço escolar.

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