top of page

NATHAN

Ciúme excessivo

Meu nome é Nathan, tenho 34 anos, sou designer gráfico e moro em uma casa simples com minha parceira, com quem vivo há alguns anos. Sempre fui um homem tranquilo, paciente e muito cuidadoso com quem eu amo. Acredito na importância da confiança e do diálogo, e sempre procurei construir um relacionamento baseado nesses pilares. No entanto, essa postura acolhedora e transparente acabou se tornando, aos poucos, um terreno complicado, porque minha parceira começou a demonstrar um ciúme excessivo — um comportamento que saiu totalmente do limite saudável e passou a infiltrar-se em quase todos os aspectos da minha rotina.

O ciúme dela não apareceu de forma escancarada no começo. Veio aos poucos, em perguntas aparentemente inocentes, em olhares desconfiados quando eu comentava sobre o trabalho, ou quando mencionava alguma colega do escritório. Mas, com o tempo, essas pequenas atitudes evoluíram para algo maior: conferência de celular, questionamentos constantes sobre horários, desconfiança sobre ligações e até incômodos explícitos quando eu simplesmente desejava conversar com amigos ou interagir com alguém fora da relação. Cada passo meu parecia ser monitorado, como se qualquer gesto simples pudesse ser interpretado como algo suspeito ou errado.

À medida que esses comportamentos se intensificavam, comecei a me sentir sufocado. Eu tentava explicar, tentava tranquilizá-la, tentava provar que não havia motivo algum para desconfiança. Mas, quanto mais eu tentava, mais ela insistia em acreditar em possibilidades que jamais existiram. Comecei a sentir um tipo de injustiça silenciosa: a sensação de ser acusado sem ter feito nada, de enfrentar julgamentos baseados apenas em inseguranças que não eram minhas. Tentei me afastar das situações mais desgastantes, tentei impor limites, tentei conversar, mas tudo parecia virar um argumento contra mim — como se cada tentativa minha de consertar fosse interpretada como mais um sinal de que eu estava escondendo alguma coisa.

Com o passar das semanas, o peso emocional começou a se tornar quase físico. O clima em casa mudou. Eu acordava já com um aperto no peito, imaginando qual seria o próximo motivo de desconfiança. Comecei a me sentir exausto, emocionalmente drenado, e em alguns momentos até duvidava do meu próprio valor — como se, de alguma forma, eu fosse responsável pelas inseguranças que não me pertenciam. A ansiedade se tornou uma constante, a ponto de eu me pegar pensando duas vezes antes de falar algo, com medo de que qualquer detalhe fosse interpretado de forma distorcida. A convivência, antes leve e aconchegante, foi se transformando em um espaço tenso, onde eu precisava medir palavras e ações para evitar conflitos.

Esse ciúme exagerado passou a afetar não só minha relação com ela, mas também minhas relações externas. Comecei a evitar contato com colegas, a recusar convites de amigos e até a me afastar de pessoas que sempre fizeram parte da minha vida. A sensação de ser vigiado, mesmo quando eu não estava fazendo absolutamente nada, corroeu pouco a pouco minha autonomia e minha tranquilidade. A verdade é que o excesso de ciúme não só desgasta: ele molda a visão de mundo da pessoa que sofre com isso. E, com o tempo, comecei a sentir que minha liberdade emocional estava sendo substituída por um constante estado de alerta.

E o pior de tudo é perceber como isso afeta a maneira como a gente passa a olhar para o amor. Aquela ideia de que o amor deveria ser leve e seguro começa a ser substituída por um medo silencioso — o medo de que qualquer passo em falso, mesmo sem intenção, gere acusações, mágoas e discussões intermináveis. A sensação é de caminhar sobre cacos de vidro: qualquer movimento pode ferir mais. E essa realidade, por si só, já machuca profundamente.

Essa foi a experiência que o Nathan viveu ao enfrentar o ciúme excessivo dentro do relacionamento — uma realidade que, infelizmente, muitas outras pessoas também enfrentam quando lidam com parceiros que ultrapassam limites e transformam inseguranças pessoais em vigilância constante. A dor emocional causada por essa desconfiança contínua deixa marcas profundas e cria um ambiente onde a liberdade e a tranquilidade deixam de existir.

No próximo conteúdo, você conhecerá detalhes profundos sobre o comportamento do ciúme excessivo — como surge, por que se manifesta e os impactos emocionais que provoca — para que você compreenda com clareza esse tipo de experiência e desenvolva uma base sólida de entendimento sobre esse problema tão comum e tão desgastante.

bottom of page