BERNARDO
Lidando com o bullying no ambiente educacional
Tenho 17 anos e sou estudante do terceiro ano do ensino médio em uma escola particular da minha cidade. Sempre fui dedicado aos estudos, reservado e focado em alcançar meus objetivos acadêmicos. Nunca me encaixei totalmente nos padrões de aparência que costumam ser valorizados entre os colegas — sou mais magro do que a maioria dos meninos da minha idade, uso óculos com lentes grossas e tenho traços que frequentemente se tornam motivo de comentários. Além disso, venho de uma família de classe social mais simples do que grande parte dos alunos da escola, e sigo uma religião que não é comum entre eles. Acredito que o ambiente escolar deveria ser um espaço de aprendizado, respeito e desenvolvimento pessoal. No entanto, nos últimos meses, venho enfrentando situações constantes de bullying, o que começou a afetar diretamente minha segurança emocional e meu desempenho escolar.
No início, tentei minimizar o que estava acontecendo. Comentários sobre minha aparência surgiam em forma de “brincadeira”, apelidos ligados ao meu corpo e ao meu jeito mais discreto eram repetidos durante as aulas, e piadas envolvendo minha religião eram feitas como se fossem algo inofensivo. Também já ouvi insinuações sobre minhas roupas e sobre o bairro onde moro, sempre associando minha condição financeira a estereótipos depreciativos. Eu acreditava que, se ignorasse, a situação perderia força. Contudo, com o passar do tempo, as provocações se tornaram frequentes, mais diretas e constrangedoras, acontecendo na frente de outros colegas e, em alguns momentos, até nas redes sociais.
Com as semanas, o bullying começou a gerar um desconforto constante. Passei a me sentir observado e julgado não apenas pelo que faço, mas por quem eu sou — pela minha aparência fora do padrão considerado “ideal”, pela fé que pratico e pela realidade financeira da minha família. Evitava participar de atividades em grupo, hesitava em expor opiniões que pudessem revelar minhas crenças e comecei a me isolar durante os intervalos para evitar novas situações constrangedoras. Tentava manter a postura e não demonstrar incômodo, mas internamente eu me sentia cada vez mais inseguro e diminuído.
O impacto emocional se intensificou quando percebi que aquelas atitudes estavam afetando minha confiança. Passei a questionar minha aparência, a sentir vergonha de falar sobre minha religião e até a evitar comentar aspectos simples da minha vida para não dar margem a novas críticas. Comecei a dormir mal antes dos dias de aula e a sentir ansiedade só de imaginar novos episódios de exposição ou zombaria. O que antes era apenas um ambiente de estudo passou a se tornar um espaço onde eu precisava me proteger constantemente.
Com o tempo, percebi que o bullying estava influenciando minha forma de me enxergar e de me posicionar no mundo. Minha espontaneidade diminuiu, minha comunicação ficou mais retraída e a sensação de inadequação passou a fazer parte do meu cotidiano escolar. Conviver com provocações ligadas à minha aparência, à minha fé e à minha classe social transformou minha rotina em um esforço contínuo para evitar julgamentos, deixando-me emocionalmente cansado e mais fechado em relação às pessoas ao meu redor.
Essa foi a experiência que Bernardo viveu ao enfrentar o bullying no ambiente educacional — um problema sério, muitas vezes minimizado como “brincadeira”, mas que pode causar impactos emocionais profundos e duradouros. Reconhecer esse tipo de situação é fundamental para interromper o ciclo de humilhação, exclusão e sofrimento silencioso que costuma envolver esse comportamento.
No próximo conteúdo, você conhecerá aspectos essenciais sobre o bullying no ambiente educacional — como ele se manifesta, quais motivações costumam estar por trás desse comportamento e quais impactos emocionais e psicológicos provoca — para compreender profundamente esse problema e reforçar a importância do respeito, da dignidade e da responsabilidade nas relações dentro do espaço escolar.