Consciência que Miguel teve...
"Eu queria que ela estivesse aqui comigo! Não faço ideia de como vou superar isso… mas tenho certeza de que ela não iria querer me ver assim."
1º PASSO
Conheceu profundamente a depressão
“Entendi o que estava acontecendo comigo.”
Miguel parou de negar a própria dor e decidiu observá-la com sinceridade. Anotou o que estava sentindo:
- Na mente: pensamentos negativos recorrentes, falta de sentido para continuar, desmotivação, vontade de desaparecer.
- No emocional: tristeza crônica, saudade paralisante, sensação de vazio e apatia diante da vida.
- No corpo: fadiga constante, perda de apetite, sono irregular, dores físicas inexplicáveis.
Miguel entendeu que não era apenas “luto” — era uma depressão severa, que estava corroendo sua vontade de viver. Reconhecer isso foi um ato de coragem e o primeiro passo para sua recuperação.
2º PASSO
Identificou a raiz do problema: perda da cônjuge
“Descobri o que estava me adoecendo.”
Ao refletir com mais profundidade, Miguel percebeu que a depressão não surgiu apenas da dor da perda, mas da ruptura violenta da sua visão de vida.
Ele acreditava que:
“A vida a dois duraria até a velhice.”
“Se manter saudável e feliz garantiria uma longa jornada ao lado da esposa.”
“Nunca estaria sozinho tão cedo.”
“Não precisaria lidar com essa ausência agora.”
Essas crenças, por mais humanas e compreensíveis que sejam, fizeram com que Miguel não estivesse preparado emocionalmente para a inconstância da vida. A realidade o chocou e o deixou completamente vulnerável.
Ao acessar a Lista de Problemas da Vida, ele reconheceu com clareza que a raiz do problema era: a perda profunda da sua cônjuge. Gerando um impacto ligado a visão rígida de que "sua felicidade estava exclusivamente ligada à presença da esposa".
Nesse caso, em particular, é um tipo de visão que todos nós temos sobre as pessoas que amamos, pois não desejamos viver a vida junto com quem amamos contando com a perda. Porém, infelizmente a vida pode nos trazer surpresas profundamente indesejadas sem termos escolha.
Essa percepção e entendimento trouxe luz sobre sua dor e abriu caminho para a reconstrução.
3º PASSO
Buscou conhecimento sobre a dor da sua perda
“Aprofundei meu entendimento sobre o que estava me adoecendo.”
Miguel decidiu estudar sua dor com clareza. Usou as quatro perguntas deste passo para entender o que estava enfrentando:
1. O que é esse problema?
A perda da cônjuge é uma das experiências mais dilacerantes da vida. Ela não leva apenas a ausência física de quem partiu, mas desestrutura o cotidiano, abala vínculos emocionais profundos e pode provocar um vazio existencial difícil de expressar. Trata-se de uma ruptura que desorganiza o mundo interior e externo de quem ficou.
2. Qual o impacto que essa perda causou na vida de Miguel?
- Rompeu sua estrutura emocional e sua vontade de viver.
- Abalou a autoestima e a motivação para seguir.
- Trouxe isolamento e afastamento social.
- Gerou apatia e desconexão com a própria história.
- Tirou o brilho dos dias.
3. Quais sintomas essa dor estava causando?
- Choro silencioso e frequente.
- Sentimento de abandono e solidão profunda.
- Falta de energia e ânimo.
- Pensamentos negativos sobre o futuro.
- Dificuldade para realizar tarefas simples.
- Sensação de que a vida perdeu o sentido.
4. Como esse problema surgiu?
O gatilho foi a morte de sua esposa em um trágico acidente de carro — o veículo em que ela estava foi atingido por um ônibus. A perda foi repentina, brutal e deixou Miguel em choque. No entanto, a dor não veio apenas da tragédia em si, mas da dificuldade de aceitar que a morte é uma parte natural e imprevisível da vida. Sua visão rígida de que só conseguiria viver com ela ao seu lado intensificou ainda mais o sofrimento (sendo uma visão que todas as pessoas que amam têm por seus parceiros). Ele percebeu que não era apenas a ausência física que o adoecia, mas a incapacidade emocional de lidar com o inesperado e com a natureza frágil da existência. Sua visão de mundo precisava ser revista.
4º PASSO
Agiu com base em princípios
“Mudei minhas atitudes com consciência.”
Com esse entendimento, Miguel decidiu mudar sua postura diante da vida. Ele sabia que continuar se afundando na dor seria desonrar a própria história — e a memória de sua esposa.
Começou a agir com base nos princípios da vida individual e conjugal:
• Aceitação: Miguel tinha plena consciência de que a dor e o vazio que estava sentindo eram porque entendia que sua parceira se foi e nunca mais voltaria. Ele também compreendia que a única coisa que poderia trazer cura para sua situação seria o retorno dela à vida, afinal, foi a morte dela que gerou esse buraco em seu coração. Infelizmente, ele sabia que isso não era possível. Tinha total consciência de que essa perda nunca iria superar, pois a verdade é que ninguém supera a perda de alguém especial e amado na vida. Apenas aceitamos o acontecimento com o passar do tempo, guardando as lembranças que tivemos com nosso parceiro, sentindo dor e uma imensa saudade, mas com muito amor e carinho no coração.
• Homenagem: Fotos, mensagens, objetos e utensílios favoritos da esposa, ele guardou com muito carinho e amor. Chegou até mesmo a usar alguns deles, mas sua intenção era apenas conservá-los como lembrança e homenagem de amor à esposa amada.
• Continuação da vida honrando a falecida esposa: Miguel então resolveu seguir com sua vida com o seguinte entendimento: Lidar com a perda de sua esposa e com as marcas deixadas por essa perda não significava esquecê-la ou superá-la, mas sim aceitar que ela realmente se foi e que a saudade e a dor sempre existirão. E isso é a prova de que ele a amou de verdade!" A partir desse ponto, Miguel seguiu com sua vida, honrando cada memória que teve com sua falecida esposa. E até hoje ele ainda vai até a mesa que fica no quintal de sua casa todas as manhãs e tardes de todos os dias! Sendo o lugar onde sua esposa amada adorava passar tempo admirando o amanhecer do sol e o pôr do sol.
Para concluir, Miguel teve uma abordagem bem consistente e significativa para lidar com a depressão, através da aceitação do acontecimento dessa experiência que marcou sua vida.
Tendo sua visão e postura antiga de "acreditar que a morte só chegaria apenas na velhice" totalmente modificada por essa experiência.
Sua nova visão e postura agora é a consciência e entendimento que ele adquiriu de que a morte sempre levará as pessoas que ele ama, sendo uma parte natural da vida, independente da sua causa. Porém é preciso abrir seu coração para aproveitar cada momento enquanto há vida, apesar dessas incertezas inevitáveis! E guardar cada experiência com pessoas especiais com muito carinho e muito amor.
5º PASSO
Manteve a nova visão e postura de vida
Miguel não esqueceu.
E nem quer esquecer.
Mas aprendeu que lembrar não precisa significar sofrer.
A dor ainda aparece em alguns momentos, mas agora vem sem paralisar.
Ele já não vive preso ao que foi — vive em paz com o que sente.
Seguir em frente não apagou o amor.
Pelo contrário: deu ao amor um lugar mais sereno dentro dele.
Miguel entendeu que seguir não é abandonar.
É honrar.
É viver por si e por quem já se foi.
E é isso que ele decidiu fazer — com respeito, com saudade, e com coragem.
Miguel enfrentou a depressão de frente. Sofreu com a perda de sua esposa, afundou-se em dor silenciosa, mas encontrou no método Change of Vision and Life Posture um caminho de resgate.
Ele reconheceu seus sintomas, identificou a raiz emocional do problema, compreendeu o impacto das crenças que o adoeceram, tomou atitudes com base em princípios e assumiu o compromisso de manter sua nova visão viva e presente.
A história de Miguel mostra que é possível reconstruir-se após uma perda. O amor não precisa acabar com a morte — ele pode se transformar em força para continuar. A verdadeira mudança começa na forma como enxergamos a vida — e se torna libertadora quando passa a guiar nossas atitudes.