BRENO
Lidando com a falta de masculinidade no relacionamento amoroso
Meu nome é Breno, tenho 23 anos, trabalho como auxiliar administrativo em uma empresa de serviços e moro sozinho em um pequeno apartamento alugado. Sempre fui um cara tranquilo, educado e respeitoso. Nunca gostei de conflitos, discussões ou confrontos desnecessários. Cresci acreditando que ser um bom homem era ser gentil, compreensivo e evitar qualquer tipo de atrito. Dentro de um relacionamento amoroso, eu valorizava a harmonia, o cuidado e a ideia de não causar incômodos. Porém, com o tempo, percebi que essa postura — que eu achava madura — começou a gerar um desequilíbrio silencioso na minha relação.
No início, a falta de masculinidade não era algo que eu enxergava como um problema. Pelo contrário, eu acreditava que estava fazendo tudo certo. Eu sempre cedia, evitava impor limites, deixava decisões importantes nas mãos dela e me adaptava facilmente às vontades e opiniões dela. Achava que isso era prova de amor, respeito e parceria. Quando surgiam situações que exigiam firmeza, posicionamento ou liderança, eu preferia recuar, pensando que isso evitaria conflitos. Mas, pouco a pouco, comecei a sentir que algo estava fora do lugar — como se minha presença estivesse ali, mas minha postura não.
Com o passar do tempo, essa dinâmica foi se aprofundando. Ela começou a tomar todas as decisões: desde coisas simples do dia a dia até questões mais importantes sobre a relação. Quando havia problemas, eu evitava assumir uma posição clara, sempre tentando agradar ou concordar. Em conversas mais sérias, eu tinha dificuldade em sustentar minha opinião, em dizer “não” ou em conduzir a situação com segurança. Aos poucos, percebi que ela passou a me enxergar mais como alguém indeciso do que como um parceiro firme. A relação começou a perder equilíbrio, e eu sentia que meu papel ali estava se apagando.
Essa falta de postura masculina começou a gerar um desconforto interno difícil de explicar. Eu me sentia inseguro, confuso e, muitas vezes, diminuído. Comecei a me perguntar: “Por que ela parece perder o respeito por mim?” “Será que estou sendo fraco?” “Será que estou errado em ser assim?” Eu tentava compensar agradando mais, cedendo mais, me anulando mais — achando que isso resolveria. Mas o efeito era o oposto. A frustração crescia dentro de mim, junto com uma sensação de impotência, como se eu estivesse sempre um passo atrás, tentando acompanhar algo que eu mesmo não conduzia.
A convivência entre nós também mudou. O clima que antes era leve começou a ficar estranho. Eu sentia que ela se mostrava mais impaciente, mais crítica e menos receptiva. Pequenas atitudes minhas eram questionadas, e eu tinha dificuldade de me posicionar diante disso. Passei a evitar algumas conversas por medo de conflito e, ao mesmo tempo, sentia que isso só aumentava a distância entre nós. A relação começou a parecer desequilibrada, como se eu estivesse sempre reagindo, nunca conduzindo. Mesmo estando juntos, eu sentia uma perda silenciosa de conexão e admiração.
Essa postura também passou a refletir em outras áreas da minha vida. No trabalho, eu evitava me posicionar em reuniões, tinha dificuldade em tomar decisões e em assumir responsabilidades com firmeza. Socialmente, comecei a me sentir menos confiante, comparando-me com outros homens que pareciam mais seguros de si. A falta de masculinidade no relacionamento começou a afetar minha autoestima e minha visão sobre quem eu era. Era como se eu estivesse perdendo o senso de direção, não só na relação, mas em mim mesmo.
A parte mais difícil de viver isso é perceber como a falta de masculinidade corrói o equilíbrio do relacionamento. Quando o homem não assume sua postura, não se posiciona e não sustenta suas decisões, a relação perde estrutura. O amor deixa de ser parceria e começa a se tornar um campo de tensão silenciosa. A sensação é de estar presente fisicamente, mas ausente na essência. E essa ausência não grita — ela desgasta, lentamente, a conexão, o desejo e o respeito.
Essa foi a experiência que o Breno viveu ao enfrentar a falta de masculinidade no relacionamento amoroso — um problema mais comum do que parece e que muitos homens vivenciam sem entender exatamente o que está acontecendo. O impacto emocional é profundo e, quando não compreendido, pode enfraquecer tanto a relação quanto a identidade masculina.
No próximo conteúdo, você conhecerá aspectos essenciais sobre a falta de masculinidade no relacionamento amoroso — como ela se manifesta, por que acontece e quais são seus impactos emocionais e relacionais — para compreender profundamente esse problema e seus efeitos silenciosos na dinâmica do casal.