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JAQUELINA

Lidando com dificuldades em colocar preço no próprio negócio

Jaquelina, uma mulher de 29 anos, trabalha como ilustradora freelancer, criando artes personalizadas para redes sociais, convites digitais e projetos criativos sob encomenda. Sempre foi talentosa, sensível aos detalhes e apaixonada por transformar ideias em imagens. Desde pequena demonstrava habilidade artística, e ao transformar essa paixão em profissão, sentiu que finalmente estava vivendo algo alinhado com sua essência. Seus clientes elogiam sua criatividade, delicadeza nos traços e originalidade. No entanto, nos últimos meses, passou a enfrentar uma dificuldade constante: definir o preço adequado pelos seus próprios serviços.

No início, Jaquelina cobrava valores mais baixos por insegurança. Acreditava que, por atuar de forma autônoma e ainda estar consolidando sua marca, precisava oferecer preços acessíveis para conquistar espaço no mercado. Comparava-se constantemente com outros ilustradores, especialmente aqueles com mais seguidores ou portfólios maiores, e sentia que ainda não estava “no mesmo nível” para cobrar valores mais altos.

Com o tempo, percebeu que o esforço investido em cada projeto era muito maior do que imaginava. Horas de criação, estudos prévios, esboços descartados, revisões solicitadas pelos clientes e ajustes minuciosos consumiam energia e dedicação intensa. Além disso, havia o tempo gasto com atendimento, negociação, envio de arquivos e divulgação. Mesmo assim, o retorno financeiro não refletia todo esse empenho.

A insegurança se tornava mais evidente no momento de enviar orçamentos. Muitas vezes, escrevia um valor inicial e, antes mesmo de receber qualquer objeção, já sentia vontade de reduzi-lo. O medo de ouvir um “está muito caro” a fazia antecipar descontos. Em alguns casos, aceitava projetos com valores abaixo do ideal apenas para não correr o risco de ficar sem trabalho.

Essa postura começou a gerar desgaste interno. Jaquelina sentia que estava sempre trabalhando muito, mas sem alcançar estabilidade financeira. Percebia que precisava produzir em grande volume para compensar os preços reduzidos, o que diminuía seu tempo de descanso e prejudicava sua criatividade. A arte, que deveria ser expressão e prazer, começou a se tornar pressão.

Internamente, a questão era mais profunda do que números. Ela começou a perceber que sua dificuldade estava ligada à própria percepção de valor. Questionava se realmente merecia cobrar mais, se sua arte tinha relevância suficiente ou se estava sendo ambiciosa demais ao pensar em reajustes. A insegurança emocional se misturava com a gestão financeira.

Ao observar colegas que cobravam valores mais altos com segurança, sentia uma mistura de admiração e dúvida. Perguntava-se qual era a diferença entre eles e ela. Aos poucos, começou a compreender que não se tratava apenas de talento, mas de postura profissional, clareza de custos, entendimento de mercado e confiança no próprio trabalho.

A experiência de Jaquelina revela uma realidade comum entre profissionais autônomos criativos: colocar preço no próprio trabalho envolve cálculos objetivos, mas também exige maturidade emocional. Sem segurança interna, a tendência é desvalorizar o próprio esforço e comprometer o crescimento do negócio.

No próximo conteúdo, você irá conhecer detalhes profundos sobre precificação no próprio negócio — como calcular custos, tempo e margem de lucro de forma estratégica, como fortalecer a percepção de valor e como desenvolver uma postura firme e equilibrada ao apresentar seus preços ao mercado, sem culpa e sem insegurança.

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