SAMANTHA
Lidando com comunicação tóxica no ambiente universitário
Tenho 21 anos e curso Direito em uma universidade particular da minha cidade. Sempre fui dedicada, participativa e comprometida com minha formação acadêmica. Escolhi a área jurídica porque acredito na força da argumentação, no diálogo estruturado e no respeito às diferentes perspectivas. No entanto, nos últimos meses, venho enfrentando situações constantes de comunicação tóxica, ofensas e agressões verbais dentro do ambiente universitário, o que começou a afetar diretamente minha segurança emocional e minha confiança em sala de aula.
No início, tentei interpretar certos comentários como parte do rigor acadêmico. Observações ríspidas, ironias disfarçadas de crítica construtiva e interrupções frequentes durante minhas falas pareciam apenas posturas mais “duras” comuns ao curso. Acreditei que fazia parte da exigência da formação jurídica. Contudo, com o passar do tempo, percebi que algumas falas ultrapassavam completamente o limite do debate saudável e se transformavam em ofensas pessoais e tentativas claras de me humilhar diante da turma.
Já ouvi comentários como: “Você não sabe do que está falando”, “Isso é ridículo”, “Que argumento fraco”, “Você está passando vergonha”, “É melhor ficar quieta”, “Presta atenção antes de falar besteira”, “Você estudou mesmo ou está improvisando?”, “Isso é pensamento raso”.
Em algumas situações, após eu terminar uma explicação, vieram risadas acompanhadas de frases como: “Meu Deus…”, “É sério isso?”, “Que viagem”, “Ela sempre fala e nunca acerta”, “Alguém explica para ela, por favor”. Houve momentos em que disseram: “Direito não é para todo mundo”, “Talvez você esteja no curso errado”, “Você não tem postura para isso”, “Assim você nunca vai ser levada a sério”.
Também aconteceram tentativas explícitas de me expor e diminuir na frente dos colegas, como interromper minha fala dizendo: “Já deu, já entendemos que você não sabe”, “Está se enrolando toda”, ou pedir que eu repetisse algo apenas para provocar mais risadas. Em um debate, ouvi: “Você está tentando parecer inteligente, mas não está conseguindo”.
Essas palavras não tinham caráter construtivo. Não eram críticas técnicas voltadas ao conteúdo jurídico, mas ataques direcionados à minha capacidade, à minha forma de falar e à minha segurança. O objetivo parecia não ser corrigir, mas constranger.
Com as semanas, essa dinâmica começou a gerar um desconforto constante. Passei a medir cada palavra antes de participar das discussões, temendo novas ironias ou comentários humilhantes. Situações em que eu deveria me sentir estimulada a argumentar passaram a provocar tensão. Tentei manter firmeza e postura profissional, mas internamente eu me sentia cada vez mais intimidada e desvalorizada.
O impacto emocional se intensificou quando percebi que aquela comunicação agressiva estava afetando minha autoconfiança. Comecei a duvidar da qualidade dos meus argumentos, a revisar excessivamente trabalhos e apresentações e até a evitar participar para não me expor a novas humilhações. Antes mesmo de entrar em sala, eu já sentia ansiedade antecipando possíveis constrangimentos.
Com o tempo, percebi que a comunicação tóxica, as ofensas e as tentativas de me diminuir estavam moldando meu comportamento. Minha espontaneidade diminuiu, minha participação ficou mais cautelosa e a insegurança começou a ocupar o lugar da confiança que eu tinha no início da graduação. Conviver com agressões verbais constantes transformou minha rotina universitária em um esforço contínuo de autoproteção, deixando-me emocionalmente cansada e mais reservada dentro do ambiente acadêmico.
Essa foi a experiência que Samantha viveu ao enfrentar a comunicação tóxica e agressões verbais no ambiente universitário — um problema sério, muitas vezes disfarçado de “rigor acadêmico” ou “debate intenso”, mas que pode causar impactos emocionais profundos e duradouros. Reconhecer esse tipo de situação é essencial para interromper o ciclo de desvalorização, intimidação e sofrimento silencioso que frequentemente se instala nesses contextos.
No próximo conteúdo, você conhecerá aspectos essenciais sobre a comunicação tóxica no ambiente educacional — como ela se manifesta, por que não deve ser normalizada como parte da formação profissional e quais impactos emocionais e psicológicos provoca — para compreender profundamente esse problema e reforçar a importância do respeito, da ética e da responsabilidade na forma de se comunicar dentro do espaço acadêmico.