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CONDUTA ATUAL
DA ANDRESSA

Decidindo abraçar a mudança necessária

Viver um relacionamento marcado por violações íntimas me colocou diante de um conflito interno silencioso e constante. No início, eu não conseguia perceber aquilo com clareza. Acreditava que amor, diálogo e compreensão seriam suficientes para sustentar a relação. Eu confiava que qualquer desconforto poderia ser resolvido com conversa e que, com o tempo, aprenderíamos a nos ajustar. Convencia a mim mesma de que certas situações eram apenas falhas de comunicação.

Com o passar do tempo, porém, comecei a sentir que algo estava profundamente fora do lugar. Havia momentos em que minha vontade não era considerada, em que eu me sentia pressionada emocionalmente e em que meus limites eram ultrapassados de forma sutil, mas dolorosa. Pequenas situações de desconforto começaram a se repetir, e aquilo que antes eu tentava minimizar passou a gerar inquietação constante.

Internamente, comecei a sentir ansiedade, confusão e uma crescente insegurança. Passei a me perguntar se eu estava exagerando, se era sensível demais ou se a responsabilidade era minha por não saber me impor. Muitas vezes, eu me calava para evitar conflitos. A relação, que deveria ser um espaço de segurança, começou a se transformar em um ambiente onde eu precisava estar sempre em alerta para proteger meus próprios limites.

A dinâmica do relacionamento também mudou. Eu percebia que precisava justificar minhas vontades, reforçar repetidamente meus limites e ainda assim não me sentia verdadeiramente respeitada. O consentimento deixava de ser prioridade em determinadas situações, e isso começou a gerar medo e impotência. O vínculo deixou de ser leve e passou a ser marcado por tensão e silêncio.

Esse cenário começou a refletir em outras áreas da minha vida. No trabalho, minha concentração diminuiu. Eu me sentia emocionalmente esgotada mesmo em dias comuns. Socialmente, me afastei de pessoas próximas, carregando um peso difícil de explicar. Aos poucos, percebi que as violações íntimas estavam afetando minha autoestima, minha confiança e minha percepção de valor pessoal.

Foi nessa fase de desgaste emocional e confusão interna que decidi buscar por informações e ajuda, onde eu encontrei este conteúdo e orientações sobre violações íntimas no relacionamento amoroso. Esse contato trouxe algo essencial: clareza e consciência. Pela primeira vez, compreendi que qualquer forma de violação é inaceitável em qualquer relacionamento. Entendi que respeito e consentimento não são detalhes — são fundamentos inegociáveis.

Estas orientações me ajudaram a reconhecer que não havia justificativa para agressões ou desrespeitos. Aprendi a usar uma comunicação mais firme e madura para cessar aquele comportamento. Tentei dialogar com mais clareza, expus meus limites de forma objetiva e deixei evidente que determinadas atitudes não seriam mais toleradas.

Entretanto, mesmo diante da minha postura mais consciente e firme, as atitudes dele continuaram. Percebi que não se tratava apenas de falhas pontuais, mas de uma postura enraizada. Ele não demonstrava real disposição para mudar, assumir responsabilidade ou respeitar meus limites de forma consistente. Foi nesse momento que compreendi algo doloroso, mas necessário: eu não poderia mudar alguém que não queria mudar.

Entender isso exigiu coragem. Eu precisei tomar uma decisão difícil, mas essencial para minha integridade. Decidi terminar o relacionamento, porque ficou claro que ele não iria mudar de postura. Permanecer ali significaria continuar permitindo que meus limites fossem desrespeitados. E eu já não estava mais disposta a normalizar aquilo que me feriu.

A partir dessa decisão, comecei a priorizar minha segurança emocional e física. Busquei apoio, fortaleci minha rede de confiança e passei a investir no meu processo de reconstrução interna. Entendi que manter distância era necessário e que assegurar minha proteção legal e emocional era uma forma de respeito por mim mesma. Também compreendi que ninguém deve permanecer em um vínculo onde há desrespeito recorrente e violação de limites.

Com o tempo, essa mudança fortaleceu profundamente minha relação comigo. Aprendi que amar não significa suportar violações em nome do vínculo. Entendi que maturidade emocional envolve reconhecer quando algo precisa ser interrompido para preservar a própria dignidade. O relacionamento que deveria proteger não pode ser aquele que fere.

Hoje, sigo mais consciente sobre o que desejo e aceito em um relacionamento amoroso. Compreendo que respeito absoluto, consentimento claro e segurança emocional são pilares indispensáveis. As orientações que conheci não apagaram a dor vivida, mas me deram estrutura interna, lucidez e firmeza para não permanecer em situações que violam meus limites.

Atualmente, caminho com mais segurança, sabendo que um relacionamento maduro precisa ser um espaço de cuidado, proteção e integridade. Ressignificar essa experiência me permitiu fortalecer meu amor-próprio, reconstruir minha confiança e buscar vínculos mais conscientes, equilibrados e alinhados com a vida segura e respeitosa que escolhi construir.

Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.

O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.

Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.

E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.

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