CONDUTA ATUAL
DA LYA
Decidindo abraçar a mudança necessária
Viver o fim de um relacionamento amoroso me colocou diante de um conflito interno silencioso e profundamente desestabilizador. No início, eu não conseguia perceber o término como algo definitivo. Acreditava que ainda existiam ajustes possíveis, conversas a serem concluídas e caminhos que poderiam ser retomados. Eu me agarrava às memórias, aos planos construídos e à ideia de que o que havíamos vivido não poderia simplesmente acabar ali.
Com o passar do tempo, porém, comecei a sentir que algo estava fora do lugar. A tentativa de manter contato passou a gerar mais dor do que conforto. As conversas diminuíram, a presença se transformou em ausência e os silêncios começaram a ocupar espaços que antes eram preenchidos por rotina e parceria. O término deixou de ser apenas uma possibilidade emocional e passou a se impor como uma realidade diária.
Internamente, comecei a sentir tristeza, vazio e uma sequência constante de questionamentos. Passei a me perguntar onde havia falhado, se poderia ter feito diferente ou se não fui suficiente. Havia dias em que eu me sentia consciente da decisão, e outros em que a saudade e a culpa se misturavam de forma confusa. Eu tentava seguir em frente, manter a rotina e aparentar estabilidade, mas carregava um luto silencioso por tudo o que não aconteceria.
A dinâmica da minha vida também mudou. A casa, que antes era compartilhada, passou a ser marcada por silêncio e ausência. Pequenos hábitos do dia a dia se tornaram lembretes constantes do que havia sido perdido. Percebi que o término não encerra apenas um vínculo, mas desmonta uma estrutura inteira construída a dois. Eu precisava reaprender a viver sozinha, a decidir sem dividir e a ocupar espaços emocionais que antes eram compartilhados.
Esse cenário passou a refletir em outras áreas da minha vida. No trabalho, minha concentração oscilava. Socialmente, eu me retraía, sem energia para explicar sentimentos que nem eu mesma conseguia organizar. Aos poucos, percebi que o término estava afetando minha autoestima, minha segurança emocional e a forma como eu enxergava o amor e a mim mesma.
Foi nesse momento de desgaste emocional e confusão interna que tive contato com conteúdos e orientações sobre como lidar com o término do relacionamento de modo maduro. Esse contato trouxe algo essencial: clareza. Pela primeira vez, consegui compreender que o fim de uma relação também é um processo de luto — e que tentar fugir da dor apenas prolonga o sofrimento.
As orientações me ajudaram a aceitar a dor em vez de combatê-la, a ressignificar a experiência e a extrair aprendizados importantes. Passei a compreender melhor o que é um relacionamento maduro, quais padrões não quero repetir e como o autocuidado mental, emocional e físico é fundamental nesse processo de reconstrução.
A partir dessa compreensão, comecei a mudar minha postura. Passei a respeitar meu tempo, a acolher minhas emoções e a reconstruir minha vida com mais consciência. Deixei de focar apenas no que havia acabado e comecei a direcionar energia para objetivos claros, novos sentidos e uma vida que não dependesse mais do que foi perdido.
Com o tempo, essa mudança fortaleceu profundamente minha relação comigo mesma. Aprendi que amadurecer emocionalmente também envolve aceitar fins, reconhecer limites e permitir que ciclos se encerrem com dignidade. Entendi que o amor vivido foi real, mas que nem todo amor é destinado a permanecer.
Hoje, sigo mais consciente sobre quem sou e sobre o que desejo construir daqui para frente. Compreendo que o término, embora doloroso, pode ser um ponto de virada quando atravessado com maturidade e responsabilidade emocional. As orientações que conheci não apagaram a dor, mas me deram estrutura interna para não permanecer presa ao passado.
Atualmente, caminho com mais segurança, sabendo que reconstruir a própria vida após um término exige coragem, clareza e cuidado contínuo. Ressignificar essa experiência me permitiu crescer emocionalmente, fortalecer meu amor-próprio e abrir espaço para vínculos futuros mais conscientes, equilibrados e alinhados com a vida que desejo viver.
Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.
O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.
Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.
E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.