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CONDUTA ATUAL
DA SAMANTHA

Decidindo abraçar a mudança necessária

Viver um período acadêmico marcado por comunicação tóxica me colocou diante de um conflito interno silencioso e constante. No início, eu não conseguia perceber aquilo como um problema real. Acreditava que comentários ríspidos, interrupções e críticas duras faziam parte do rigor do curso de Direito. Pensava que aquele tom mais agressivo era apenas exigência acadêmica e que, com maturidade, eu aprenderia a lidar com isso naturalmente.

Com o passar do tempo, porém, comecei a sentir que algo estava fora do lugar. As ironias disfarçadas de crítica construtiva passaram a se repetir. Interrupções durante minhas falas, risadas após minhas argumentações e comentários que questionavam minha capacidade começaram a ultrapassar o limite do debate saudável. Percebi que não se tratava de análise técnica do conteúdo jurídico, mas de ataques direcionados à minha segurança e à minha postura.

Internamente, comecei a sentir insegurança, ansiedade e uma constante sensação de exposição. Passei a medir cada palavra antes de participar das discussões, antecipando possíveis constrangimentos. Aquilo que antes era entusiasmo para argumentar e defender ideias transformou-se em tensão. A espontaneidade deu lugar ao receio, e o ambiente que deveria estimular crescimento passou a provocar autocensura.

A dinâmica em sala também mudou. Eu me tornava mais cautelosa, revisava excessivamente meus trabalhos e evitava determinadas participações para não abrir espaço a novas ofensas. Mesmo mantendo postura profissional externamente, por dentro eu me sentia cada vez mais intimidada. A comunicação agressiva começou a moldar meu comportamento, limitando minha liberdade de expressão e afetando minha confiança.

Esse cenário passou a refletir em outras áreas da minha vida. Minha autoconfiança diminuiu, minha tranquilidade antes das aulas foi substituída por ansiedade antecipatória e meu rendimento passou a ser acompanhado por um medo constante de errar publicamente. Percebi que a comunicação tóxica não estava apenas acontecendo ao meu redor — ela estava impactando profundamente minha segurança emocional.

Foi nesse momento de desgaste e confusão interna que busquei ajuda para entender mais afundo esse tipo de situação e encontrei este conteúdo sobre comunicação tóxica no ambiente educacional. Esse contato trouxe algo essencial: compreensão profunda e clareza. Pela primeira vez, compreendi que rigor acadêmico não justifica humilhação, que debate não é sinônimo de desrespeito e que agressão verbal não pode ser normalizada como parte da formação profissional.

As orientações me ajudaram a entender que eu poderia utilizar uma comunicação madura e respeitosa para interromper ataques, estabelecendo limites claros. Compreendi que respeito não é opcional, mesmo em ambientes de alta exigência intelectual. Aprendi que, em situações mais graves, é legítimo tomar medidas formais e denunciar condutas abusivas. Também passei a manter distância estratégica de pessoas que insistem em agir de maneira desrespeitosa.

A partir dessa compreensão, comecei a mudar minha postura. Passei a responder com firmeza e objetividade quando surgiam comentários inadequados, mantendo serenidade e postura técnica. Estabeleci limites claros quanto à forma como aceito ser tratada e deixei evidente que discordâncias são bem-vindas — desde que respeitosas. Em casos específicos, registrei formalmente situações que ultrapassaram o aceitável.

Com o tempo, comecei a perceber que as pessoas que me atacavam verbalmente começaram a perder o controle emocional quando eu colocava limites firmes e argumentava de forma madura e objetiva. Diante da minha nova postura firme, pouco a pouco essas pessoas começaram a evitar causar confronto direto e me evitavam dentro da instituição. Essa mudança fortaleceu profundamente minha relação comigo mesma. Voltei a confiar na minha capacidade argumentativa e compreendi que minha voz não precisa ser silenciada para evitar conflitos. Entendi que maturidade profissional também envolve defender a própria dignidade e promover interações pautadas nos princípios educacionais: ética, respeito e responsabilidade comunicativa.

Hoje eu entendo que, para lidar melhor com situações assim, nós precisamos nos impôr. Sigo mais consciente sobre o tipo de ambiente acadêmico que desejo construir ao meu redor. Compreendo que o aprendizado profundo acontece quando há espaço seguro para argumentar, errar, corrigir e evoluir. A comunicação pode ser firme sem ser ofensiva, crítica sem ser destrutiva e técnica sem ser humilhante.

Atualmente, caminho com mais segurança e clareza emocional dentro da universidade. Ressignificar essa experiência me permitiu amadurecer, fortalecer minha postura profissional e desenvolver ainda mais minha capacidade de argumentação — agora sustentada não apenas pelo conhecimento jurídico, mas também pela firmeza emocional e pelo respeito que escolhi não abrir mão.

Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.

O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.

Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.

E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.

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