CONDUTA ATUAL
DO BERNARDO
Decidindo abraçar a mudança necessária
Viver um período acadêmico marcado pelo bullying me colocou diante de um conflito interno silencioso e constante. No início, eu não conseguia perceber aquilo como um problema real. Acreditava que eram apenas brincadeiras comuns, comentários passageiros que perderiam a força com o tempo. Pensava que, se eu ignorasse, tudo se resolveria naturalmente e a convivência voltaria ao normal.
Com o passar do tempo, porém, comecei a sentir que algo estava fora do lugar. As “brincadeiras” sobre minha aparência, meus óculos, meu corpo mais magro e meu jeito reservado começaram a se repetir com frequência. Comentários sobre minha religião e minha condição financeira também surgiam diante de outros colegas. Pequenos risos e olhares se tornaram constantes, e aquilo que parecia isolado passou a ser parte da rotina.
Internamente, comecei a sentir insegurança, vergonha e uma sensação constante de exposição. Passei a me perguntar se havia algo errado comigo, se eu deveria mudar minha forma de ser para evitar novas provocações. Muitas vezes, eu entrava na escola já em estado de alerta, imaginando qual seria o próximo comentário. A leveza que deveria existir no ambiente escolar deu lugar a uma tensão silenciosa no meu dia a dia.
A dinâmica das relações também mudou. Eu evitava participar de atividades em grupo, falava menos durante as aulas e hesitava em expressar opiniões que revelassem minha fé ou aspectos da minha vida pessoal. Mesmo quando estava cercado de colegas, sentia-me isolado. A escola, que deveria ser um espaço de aprendizado e desenvolvimento, começou a se tornar um ambiente onde eu precisava constantemente me proteger.
Esse cenário passou a refletir em outras áreas da minha vida. Minha concentração nos estudos diminuiu, meu rendimento caiu e minha motivação começou a oscilar. Em casa, eu ficava mais calado, mais introspectivo. Aos poucos, percebi que o bullying estava afetando minha autoestima e a forma como eu me enxergava no mundo.
Foi nesse momento emocionalmente desgastante e intenso que resolvi pesquisar por ajuda e encontrei este conteúdo sobre bullying em ambiente educacional. Esse contato trouxe algo essencial: clareza. Pela primeira vez, compreendi que nem tudo que é chamado de “brincadeira” é aceitável. Entendi que existem limites claros entre interação saudável e desrespeito, e que o que eu estava vivendo ultrapassava esses limites.
As orientações me ajudaram a reconhecer o que é inaceitável e intolerável, a entender que eu não precisava normalizar aquilo. Aprendi sobre a importância de utilizar uma comunicação madura e respeitosa para interromper desrespeitos e, principalmente, de estabelecer limites claros. Também compreendi que, se as atitudes persistissem, eu tinha o direito de buscar apoio e denunciar.
A partir dessa compreensão, comecei a mudar minha postura. Passei a me posicionar com mais firmeza quando surgiam comentários ofensivos. Busquei apoio em pessoas confiáveis dentro da escola e mantive distância daqueles que insistiam em desrespeitar. Priorizei minha segurança emocional e continuei focando nas minhas responsabilidades acadêmicas, sem permitir que aquela situação definisse meu futuro.
Com o tempo, essa mudança fortaleceu profundamente minha relação comigo mesmo. Aprendi que meu valor não está condicionado à aprovação de colegas ou a padrões superficiais. Entendi que maturidade também envolve saber reconhecer quando algo é injusto e agir com responsabilidade para proteger a própria dignidade.
Hoje, sigo mais consciente dos meus limites e mais seguro sobre quem eu sou. Compreendo que respeito não é algo opcional nas relações humanas. As orientações que conheci não apagaram instantaneamente tudo o que vivi, mas me deram estrutura interna, coragem e direção para não permanecer em silêncio diante do desrespeito. Após isso ainda vivenciei outros episódios relacionados ao bullying, mas o modo como eu aprendi a lidar e a clareza e conhecimento que adquiri fizeram toda a diferença. Pois a minha postura anterior criava condições e espaço para que essa situação ocorresse com mais intensidade.
Atualmente, caminho com mais firmeza, sabendo que minha identidade, minha fé, minha história e meus objetivos acadêmicos não precisam ser reduzidos por comentários maldosos. Ressignificar essa experiência me permitiu amadurecer emocionalmente, fortalecer minha autoestima e seguir meus estudos com mais foco, consciência e determinação sobre o futuro que desejo construir. Com um pouco de dificuldade, mas com firmeza e determinação eu consegui passar nas provas finais, entregar meus trabalhos nos prazos e passei para o próximo ano com notas acima da média. Eu planejo fazer faculdade de Direito e sei que também enfrentarei mais desafios lá, mas estarei preparado para lidar com eles de forma clara e objetiva.
Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.
O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.
Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.
E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.