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CONDUTA ATUAL
DA SARA

Decidindo abraçar a mudança necessária

Conviver com a falta de diálogo em um relacionamento amoroso é como tentar construir algo sólido sobre um chão que cede aos poucos. No começo, eu não percebia o quanto aquilo estava afetando minha vida emocional. Parecia apenas uma diferença de ritmo, uma característica dele, algo que o tempo resolveria. Mas, conforme os dias passavam, aquele silêncio constante começava a pesar, ocupando espaços onde antes havia troca, leveza e conexão. A primeira vez que a minha ficha caiu foi em uma cena simples: eu estava sentada ao lado dele no sofá, tentando falar sobre algo importante, e ele desviou o olhar, pegou o celular e murmurou um “depois falamos sobre isso”. Ali percebi que não era só a falta de conversas profundas, mas a falta de disposição em dividir o que sustentava o relacionamento: o diálogo. E aquela atitude começou a se repetir de forma dolorosamente constante.

Com o tempo, percebi que cada tentativa minha de conversar sobre sentimentos, dificuldades ou melhorias para a relação era desviada, silenciada ou interrompida. Ele se retirava emocionalmente, às vezes até fisicamente. Eu sentia como se estivesse vivendo um monólogo disfarçado de relação. Isso começou a mexer comigo de um jeito que eu não esperava. Passei a questionar se eu era intensa demais, se cobrava demais, se esperava demais. Até minha própria essência — essa parte de mim que sempre valorizou a conversa sincera — começou a se retrair. A convivência foi perdendo brilho. A casa ficou mais silenciosa, os dias mais arrastados, e eu me via pisando em ovos para evitar desconfortos. A distância entre nós crescia sem barulho, mas com muito peso.

Foi nesse período que encontrei este conteúdo e conheci as orientações, que me deram um respiro depois de tanto sufoco emocional. Elas me ajudaram a enxergar que minhas necessidades eram legítimas e que o que eu sentia não era exagero, drama ou invenção. A partir disso, minha postura começou a mudar. Passei a me expressar com clareza, sem elevar o tom, mas também sem me silenciar. Comecei a falar de forma madura, objetiva e sincera, sem implorar por atenção e sem diminuir minhas emoções. A minha mudança não foi para provocar ou pressionar, mas para recuperar minha própria dignidade emocional.

E foi justamente essa mudança em mim que fez com que ele também começasse a mudar, mesmo que de maneira sutil. Ele não se transformou da noite para o dia, e nem se tornou alguém completamente diferente, mas começou a mostrar pequenas atitudes que antes não existiam. Ele passou a prestar mais atenção quando eu falava, começou a me olhar nos olhos durante as conversas, deixou o celular de lado em momentos importantes e tentou, mesmo com dificuldade, não fugir de assuntos sérios. Às vezes ele fazia um esforço evidente para permanecer presente, e isso, para mim, já representava algo significativo. Não eram grandes revoluções, mas eram gestos que mostravam que a minha mudança tinha provocado um movimento interno nele também.

Não foi uma mudança perfeita, nem completa, mas foi real. E eu entendi que, quando uma pessoa muda verdadeiramente a forma de se posicionar, a relação inevitavelmente muda junto — seja para melhorar ou para revelar suas falhas. No nosso caso, houve espaço para alguns ajustes. Ele começou a perceber que meu silêncio não era mais medo, e sim filtro. Começou a notar que minha firmeza não era frieza, mas respeito próprio. E, com isso, o diálogo entre nós ganhou um pouco mais de vida. Não se tornou impecável, mas deixou de ser inexistente.

Hoje, olhando para tudo que vivi, consigo enxergar com muita clareza o quanto amadureci e o quanto ele também deu alguns passos ao meu encontro. Não porque eu exigi, mas porque minha mudança tornou impossível continuar no mesmo padrão. Crescemos juntos, cada um no seu ritmo. E aprendi que quando uma pessoa se posiciona com verdade, o outro percebe — e, às vezes, escolhe evoluir também.

Entendi que o amor precisa de diálogo para existir de forma saudável, e que eu mereço estar em relações onde minha voz não precise lutar contra o silêncio emocional do outro. A mudança dele não anulou a minha, e a minha não apagou a dele. Mas juntas, elas criaram um espaço mais consciente, mais sincero e um pouco mais maduro para ambos. E isso já foi um avanço valioso na nossa história.

Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.

O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.

Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.

E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.

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