CONDUTA ATUAL
DO ROGER
Decidindo abraçar a midança necessária
Sempre escolhi a enfermagem por vocação. Cuidar de pessoas, estar presente em momentos delicados e contribuir para o bem-estar dos pacientes sempre fez sentido para mim. Durante muito tempo, aceitei plantões extras, trocas de turno e jornadas prolongadas como parte natural da profissão. Eu dizia a mim mesmo que era uma fase, que conseguiria administrar o cansaço e manter o equilíbrio.
Mas a fase não passou.
Os plantões começaram a se acumular. Noites mal dormidas eram seguidas por jornadas diurnas intensas. Finais de semana deixaram de ser descanso e passaram a ser apenas continuidade do trabalho. Meu corpo começou a dar sinais claros: fadiga constante, dificuldade de concentração, sono irregular. Mesmo nas folgas, eu não me sentia verdadeiramente descansado. Era como se estivesse sempre devendo energia ao meu próprio corpo.
A vida pessoal também foi sendo deixada para depois. Encontros familiares adiados, compromissos cancelados, hábitos saudáveis abandonados. Comecei a perceber que estava vivendo apenas para cumprir escalas. O entusiasmo que sempre tive pela profissão começou a ser substituído por um desgaste silencioso. Eu ainda era responsável e comprometido, mas já não me sentia inteiro.
Foi nesse momento que comecei a pensar em fazer alguma coisa que me ajudasse a mudar essa situação e, pesquisando sobre este assunto, encontrei esse conteúdo e essas orientações maravilhosas. Elas me mostraram que dedicação não significa autossacrifício permanente. Aprendi que proteger minha saúde não é abandonar minha vocação — é preservá-la.
A primeira atitude foi avaliar a possibilidade de modificar meu horário ou setor dentro do hospital. Busquei conversar com a coordenação, expus com clareza os impactos da jornada prolongada na minha saúde e no meu desempenho. Não fui agressivo, mas fui firme. Expliquei que, a longo prazo, a exaustão poderia comprometer a qualidade do atendimento.
Infelizmente, as mudanças foram limitadas. A estrutura do hospital e a alta demanda dificultavam ajustes significativos. Foi então que considerei a segunda orientação: buscar alternativas em outras instituições. Comecei a pesquisar oportunidades, analisar propostas e entender quais ambientes ofereciam escalas mais equilibradas.
Quando encontrei uma oportunidade melhor, não agi impulsivamente. Planejei minha transição com responsabilidade, organizei minhas finanças e formalizei minha saída de forma ética. A mudança não foi apenas profissional — foi estratégica.
Ao mesmo tempo, investi no aprimoramento das minhas habilidades. Fiz cursos, atualizações e busquei fortalecer meu currículo. Entendi que quanto mais preparado eu estivesse, mais opções teria. Também aprofundei meu entendimento sobre os princípios de um profissional assalariado: responsabilidade, disciplina, ética e visão estratégica. Compreendi que ser profissional maduro é saber quando permanecer, quando negociar e quando seguir em frente.
Hoje, continuo atuando como enfermeiro, mas em uma instituição com escalas mais organizadas e gestão mais consciente. Meu rendimento melhorou, minha concentração voltou ao normal e, principalmente, minha qualidade de vida foi restaurada. Voltei a ter energia para minha família, para meus projetos pessoais e para cuidar da minha própria saúde.
Aprendi que trabalhar muitas horas não é sinônimo de comprometimento absoluto. Comprometimento verdadeiro também inclui cuidar de si para poder cuidar dos outros.
Crescer profissionalmente exige maturidade para reconhecer limites. Haverá momentos em que será necessário esforço extra — mas quando o extraordinário se torna regra, algo precisa ser reavaliado.
O que importa é não permanecer em silêncio quando o próprio equilíbrio está sendo comprometido. Conhecimento traz clareza. Clareza traz decisões. E decisões conscientes transformam realidades.
Assim como eu precisei entender que preservar minha saúde era essencial para continuar exercendo minha vocação com excelência, você também pode refletir sobre sua própria rotina e escolher um caminho mais equilibrado.
Você não precisa abandonar seus sonhos para proteger sua saúde. Com estratégia, responsabilidade e maturidade, é possível ajustar a rota e continuar avançando — com mais equilíbrio, mais consciência e mais vida.
Crescer e amadurecer não é um caminho rápido nem sempre leve — mas é um dos mais valiosos que você pode escolher. Haverá dias de força e dias de cansaço, momentos de clareza e momentos de dúvida. E tudo bem.
O que importa é não caminhar no escuro por falta de conhecimento. Buscar compreender a si mesmo(a) e a vida é como acender luzes no seu próprio caminho — você passa a enxergar onde está, para onde pode ir e como chegar lá.
Assim esta pessoa que, ao compreender profundamente a realidade em que estava, percebeu que mudar não era apenas uma opção, mas uma necessidade para viver melhor — e decidiu dar os passos necessários —, você também pode transformar o rumo da sua história.
E, sempre que precisar, saiba que este espaço estará aqui para lembrar que você não está sozinho(a) nessa jornada. Que existe, sim, um jeito de construir uma vida mais firme, consciente e satisfatória, passo a passo, no seu ritmo, mas com a certeza de que é possível.